
O capítulo mais instigante de Os jovens e a leitura – Uma nova perspectiva, de Michèle Petit, intitula-se “O medo do livro” e condensa a perspectiva da especialista francesa, cujos estudos, nos subúrbios e comunidades rurais de seu país, apontam surpreendentes similitudes com a nossa realidade terceiro mundista. Afinal, para os jovens marginalizados, da França ou de Pindorama, os obstáculos ao acesso à leitura são uma das barragens à plena inserção em suas respectivas sociedades. O medo do livro é detectado primeiramente entre os detentores do poder que, historicamente, sempre recearam a força de conscientização infiltrada nas páginas impressas. Mas Petit aponta também o medo entre as próprias comunidades periféricas, onde, muitas vezes, as famílias desconhecem o hábito de ler e onde o potencial leitor muitas vezes é discriminado até por seus pares, como figura deslocada e diferente, para quem “a leitura era uma atividade arriscada”. Todo o texto é baseado em pesquisas de campo da autora e mostra algumas soluções encontradas em seu país para difundir a leitura, que passam necessariamente por uma política firme e pelo papel fundamental dos mediadores, como professores e bibliotecários. “A leitura – escreve ela a certa altura – pode ser uma espécie de atalho que conduz de uma intimidade rebelde à cidadania.” (Homero Fonseca)
Os jovens e a leitura – Uma nova perspectiva, Michèle Petit, Editora 34, 192 páginas, 36,00 reais.
Fonte:Continente on-line